{"id":22,"date":"2023-10-18T14:20:44","date_gmt":"2023-10-18T17:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/100anossemrui.casaruibarbosa.gov.br\/?page_id=22"},"modified":"2023-10-31T10:35:39","modified_gmt":"2023-10-31T13:35:39","slug":"migalhas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/100anossemrui.casaruibarbosa.gov.br\/?page_id=22","title":{"rendered":"Migalhas"},"content":{"rendered":"<h1>100 anos depois&#8230;<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Migalhas<\/h3>\n<h4>Rui Barbosa, oitenta anos depois<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 de 27 de fevereiro de 1923, estando em Petr\u00f3polis por motivo de sa\u00fade, convidou Rui Barbosa um grupo seleto de correligion\u00e1rios a fim de, juntos, examinarem a poss\u00edvel escolha de um candidato representativo da oposi\u00e7\u00e3o baiana \u00e0 sucess\u00e3o do governador J.J. Seabra.<\/p>\n<p>Dentre os que deviam estar presentes, s\u00f3 n\u00e3o compareceu o dr. Aurelino Leal, que exercia, na ocasi\u00e3o, o cargo de interventor federal no Estado do Rio de Janeiro, nomeado pelo presidente Artur Bernardes, um de seus ministros, entretanto, o dr. Miguel Calmon, participou da reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Imaginando possivelmente que pudesse n\u00e3o ser o escolhido, o dr. Aurelino mandou uma carta cheia de protestos de admira\u00e7\u00e3o e respeito a Rui Barbosa, mas opinando no sentido de deixar-se a cargo exclusivamente do presidente da Rep\u00fablica a indica\u00e7\u00e3o do candidato oposicionista ao governo da Bahia.<\/p>\n<p>Surpreendido por t\u00e3o esdr\u00faxula qu\u00e3o inesperada sugest\u00e3o, &#8211; narra Jo\u00e3o Mangabeira, testemunha presencial da cena hist\u00f3rica:<\/p>\n<blockquote><p>Rui transfigura-se. A express\u00e3o semi-agonizante do seu rosto transmuda-se na energia borbulhante da vida. Os olhos fuzilam. E a voz irrompe da garganta com a for\u00e7a, o \u00edmpeto, o timbre dos seus grandes surtos tribun\u00edcios. Era de v\u00ea-lo, quase \u00e0s vascas da agonia, nos \u00faltimos momentos da vida, sustentar e defender os princ\u00edpios que pregara e a que devotara a sua exist\u00eancia de estadista e ap\u00f3stolo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim come\u00e7ou aquele \u201c\u00faltimo discurso\u201d que lhe precipitaria a morte, \u00e0s vinte horas e vinte e cinco minutos de 1\u00ba de mar\u00e7o de 1923, arrebatado por uma paralisia bulbar, n\u00e3o sem antes, no dia 28, responder \u00e0 amada companheira de quarenta e seis anos de vida conjugal, que lhe indagava se a reconhecia: \u201cPor que n\u00e3o?\u201d \u2013 respondeu-lhe, retendo entre as suas as m\u00e3os de Maria Augusta.<\/p>\n<p>E na seguinte noite expirou.<\/p>\n<p>O seu sepultamento foi cerim\u00f4nia dominada por emo\u00e7\u00e3o popular, e o cemit\u00e9rio S\u00e3o Jo\u00e3o Batista esteve ent\u00e3o superlotado. Entre os muitos oradores, falou o quartanista da Faculdade de Direito do Catete \u2013 Pedro Calmon. \u201cNem podia aproximar-me do ata\u00fade, subi a uma \u00e1rvore, e pendurado de um galho, a m\u00e3o direita esvoa\u00e7ante no espa\u00e7o, bradei a minha ora\u00e7\u00e3o\u201d, conta ele em suas <em>Mem\u00f3rias<\/em> .<\/p>\n<p>Depois desse dia, Rui Barbosa, que at\u00e9 ali tinha sido uma celebridade para tribunais, ju\u00edzes, advogados, pol\u00edticos, homens de letras, imprensa (certo jornal carioca chegou ao m\u00e1ximo de estampar em manchete de 1\u00aa p\u00e1gina: &#8220;Apagou-se o sol&#8221;), converteu-se num patrim\u00f4nio de todo o povo brasileiro. O seu prenome multiplicou-se pelo Brasil afora, e Rui Barbosa passou a ser a denomina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de faculdades, col\u00e9gios, escolas prim\u00e1rias, institui\u00e7\u00f5es culturais, munic\u00edpios, vilas, bairros, avenidas, pra\u00e7as, ruas etc.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 a verdadeira consagra\u00e7\u00e3o nacional, vinda espontaneamente do cora\u00e7\u00e3o dos brasileiros, o que na realidade vale tanto quanto estar vivo, ou ser imortal. O dia primeiro de mar\u00e7o \u00e9, assim, uma data extremamente cara ao nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Prof. Rubem Nogueira<\/p>\n<p>Autor das premiadas obras\u00a0<em>O advogado Rui Barbosa<\/em> e <em>Hist\u00f3ria de Rui Barbosa<\/em>. Lisboa, 1968 : Josu\u00e9 Montelo, RUBEM NOGUEIRA , Pedro Calmon e Am\u00e9rico J. Lacombe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>100 anos depois&#8230; &nbsp; Migalhas Rui Barbosa, oitenta anos depois &nbsp; Na manh\u00e3 de 27 de fevereiro de 1923, estando em Petr\u00f3polis por motivo de sa\u00fade, convidou Rui Barbosa um grupo seleto de correligion\u00e1rios a fim de, juntos, examinarem a poss\u00edvel escolha de um candidato representativo da oposi\u00e7\u00e3o baiana \u00e0 sucess\u00e3o do governador J.J. Seabra. 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